Quando as coisas pedem um pouco mais de calma, é quando o peito clama mais por pressa. A gente vive o tempo inteiro em uma cobrança maligna de sobrevivência, de tentar ir além do simplesmente existir.
"Espelho, espelho meu", existe alguém aí além do "eu"?
O que te fazia feliz ontem, hoje não faz mais sentido. A gente tenta o tempo todo matar nossos demônios, alguns deles que nem ao menos conhecemos. Não sabemos o que nos aflige, temos medo até mesmo de fazer as perguntas certas, vai que encontramos as respostas? Às vezes, a gente só que fugir do cotidiano, e fugir do que somos, tentar encontrar dentro de nós outra faceta que satisfaça o clã que mora dentro da gente.
Tem vezes que me satisfaço com o que não sou. E aquela personagem vai tomando conta do espelho, e quando eu percebo ela é muito mais eu do que o que eu sempre achei que fosse. Será, então, que eu nunca fui eu mesma? Ou estou passando pela mudança brusca do conhecimento real, e deixando pra trás toda a insignificância que em outrora fazia todo o sentido para o meu sorriso?
Seja o que for, eu não acho a resposta. Não acho a cura para a mão que, internamente, sufoca o meu pescoço toda hora que me deparo com o novo. Logo eu, que adoro a novidade e o imprevisto.
Então, será que existe esse lance de outro eu? De novo eu? Do eu de antes...
Diga então, espelho eu.
O reconhecimento disso está sendo extremamente obscuro, eu não sei. Eu não sei mais sentir. Eu não sinto nada que estimule minha euforia ou minha extrema frustração. Será o que?
Será mais uma etapa? Será só uma fase? Será só um momento ruim? Ou bom, quiçá?
O "eu" paira no ar, sem eira nem beira... Ele se desconstrói, se transforma, numa redoma própria onde nem eu mesma consigo analisar as reticências.
O 'recente eu' não se apresenta.
Talvez a maior vantagem de mudar de pele, é não saber qual será a cor da outra.

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